“Pesquisando o Futuro: novos laboratórios de tendências” por Sabina Deweik

Na tarde de terça, teve início o primeiro dia do ciclo de palestras da Casa de Criadores. A primeira palestra foi conduzida por Sabina Deweik, que trabalha no Future Concept Lab. O FCL é um instituto de pesquisa e análise de comportamento do consumidor que fica na Itália, mas possui colaboradores em diversas cidades do mundo.
Sabina contou um pouco sobre como é o trabalho de detectar tendências e quais as macro-tendências que imperam no mundo hoje. Ela explicou que tendências não necessariamente têm a ver só com moda, mas com tudo que nos rodeia. Vão desde novidades tecnológicas, até medidas governamentais. É o impacto desses fatos, nos consumidores, acabam gerando padrões de comportamento – e que podem vir a se tornar uma macro-tendência. A tendência se torna macro quando atinge as massas e diversos setores de consumo: do automobilístico à gastronomia. Para ilustrar a linha de pensamento, ela cita sobre o boom da ideia da sustentabilidade. O problema é que todos querem tirar uma lasquinha deste conceito, mas nem todas as empresas sabem adequar ele às identidades de suas marcas.
Sabina diz que atualmente vivemos um momento em que as pessoas querem estar em contato umas com as outras, e que isso impulsiona o consumo compartilhado. Para entender melhor o que é este tipo de consumo, ela cita os festivais de música como Skol Beats, Planeta Terra, etc. As empresas usam seu nome para vender não só um serviço, mas uma verdadeira experiência para seus consumidores. E um conceito importante é que hoje não se deve pensar tanto em marketing, mas sim em societing. Mais do que na marca, hoje o consumo gira em torno do consumidor – aonde vai, quem ele é, quais seus planos, e que tipos de projetos simpatiza. Os responsáveis por identificar estes consumidores e novos comportamentos são os Cool Hunters. Sabina descreveu um pouco sobre como é esta nova profissão: “Ao contrário do que muitos pensam, o Cool Hunter não é uma pessoa “cool”. Ele tem olhos para ver coisas que nós não percebemos, mas não é uma pessoa que anda na última moda.” O Cool Hunter é curioso, conhece muito bem onde vive, tem uma atitude aberta à novas experiências, é tolerante e tem amor por conhecimento. E ele tem que ter no olhar o discernimento de encontrar um contexto, nos sinais enviados pelos comportamentos das ruas.
Sobre o cenário brasileiro ela acredita que o país está em uma maré de sorte: “Temos tudo a favor: a maneira como lidamos com as relações humanas, a explosão de cores, o jeito leve de levar a vida; tudo isso está sendo procurado nos outros países e temos isso aqui, no nosso DNA.” Quando perguntada sobre como acha que o mercado de moda está respondendo às novas tendências mercadológicas, ela diz que nosso setor já percebeu a necessidade de mudança. Porém as marcas estão em um processo de encontrar sua identidade dentro do DNA do país. Das empresas que acredita que conseguiram estabelecer um produto com DNA brasileiro sem cair no clichê ela cita: Osklen, Havaianas, Irmãos Campana e até os grafiteiros Gêmeos.
Para saber mais sobre o Future Concept Lab e sobre a profissão de Cool Hunter, acesse: www.futureconceptlab.com

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