Dragão Fashion – dia 2

Lázaro de Souza se inspirou na flor de Juazeiro para criar sua coleção

A noite abriu com a coleção Árida Flor, do estilista cearense Lázaro de Souza. Numa clara referência a força das mulheres, a coleção brincou com a união dos opostos: o feminino e o rústico, o doce e o amargo, o simples e o sofisticado, o seco e o fértil. Na cartela de cores, os tons terrosos, aplicados ao elastano e à malha. 

Imagens da incrível coleção da Conexão Solidária por Lindebergue Fernandes

Em seguida veio um dos melhores desfiles do evento, o da associação Conexão Solidária em parceria com o estilista Lindebergue Fernandes. Ele e sua equipe viajaram mais de 10 mil quilometros (de carro) por todos os estados do nordeste para realizar uma grande pesquisa com comunidades e grupos de artesãos. Dessa viagem, o estilista escolheu 9 estados (e 31 comunidades espalhadas por eles) para criar uma coleção deslumbrante e que prova que moda brasileira pode, sim, ser regional e folclórica sem ser caricata. Aplaudidos de pé, os artesãos e artesãs participantes ganham uma consultoria e uma série de workshops com o objetivo de agregar mais conteúdo ao seus trabalhos.

E a coleção foi chamava de “Nó. Destino”. Veja que incrível a justificativa para o nome: “Originalmente, o “nó destino” é um algoritmo que representa o ponto de convergência de todos os processos matemáticos de uma equação. Esse conceito é aplicado fortemente nas redes de tecnologia e nos sistemas de informação. E, a partir da coleção para a Conexão Solidária, “Nó.Destino” passa a representar, também, o ponto de convergência das mentes e mãos que constroem, juntas, a identidade do artesanato nordestino.”

O homem descolado da marca Athos, por Léo Macedo

Depois foi a vez da marca masculina Athos, assinada pelo estilista Léo Macedo. A coleção, super bem editada, faz a alegria de nosso amigo e jornalista Lula Rodrigues, um dos principais experts em moda masculina no Brasil.  Com um estilo super atual e descolado, a marca brincou com o estilo aviador, numa coleção inspirada nos anos 50 e chamada de Flying High. Certamente um dos grandes nome do line-up do evento.

Look da Sá Maria, marca assinada por um trio de estilistas de Pernambuco

A marca Sá Maria, do trio pernambucano formado por Otavio Azevedo, João Luis Battista e Fábio Alves fez um desfile cuja coleção foi inspirada na mulher nômade pré-histórica e seus rituais de fertilidade. Na passarela, túnicas, vestidos em vários comprimentos, calças, capas, abrigos e pelerines sobrepostos com efeitos de desgaste e envelhecimento.

Melk Zda foi buscar inspiração na Ilha de Fernando de Noronha

A veterano estilista a artista plástico Melk desfilou a sua coleção de outono inverno 2011 inspirada na ilha de Fernando de Noronha. Sua marca, a Melk Zda, participa do Fashion Rio já há onze temporadas e há quatro desfila também no Dragão Fashion. O talentoso estilista de Recife fez um desfile em que mostra o quanto sua marca está madura e consolidada. Fernando de Noronha aparece através de lendas que rondam a ilha. A principal delas é conhecida como a “Lenda da Alamoa”. A história fala de uma mulher que em noites de lua cheia andava pela ilha, seminua, com longos cabelos loiros arrastando pelo chão. Ela seduzia os homens com sua beleza e os atraía às pedras. Lá, transformava-se em caveira e, por causa do medo que causava, fazia com que eles se jogassem ao mar.

Desfile do cultuado estilista cearense Iury Costa

A noite, repleta de excelentes desfiles, foi encerrada por Iury Costa, um dos mais queridos e talentosos estilistas da moda cearense. Iury mostra que domina o corte de maneira profissional. É evidente o sucesso comercial que sua marca tem, não só pela reação calorosa da platéia ao seus desfile mas, sobretudo, pelo que ele apresenta na passarela. Transitando com igual competência pelo masculino e feminino, o estilista brinca com a desconstrução das peças de maneira inteligente. O tom é austero para tratar do tema, o mitológico paraíso de Arcádia. Coleção de gente grande. E olhe que Iury tem só 22 anos.

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