U+REVIEW_ROBER DOGNANI VERÃO 2012

via @U_MAG

© Felipe Abe

A coleção de Verão 2012 assinada por Rober Dognani foi, discutivelmente, a melhor do segundo dia da Casa de Criadores. Mas… era mesmo uma coleção de Rober Dognani? Quem acompanha o trabalho do estilista há algum tempo deve ter se perguntado isso (nós, da U+MAG, tivemos essa conversa entre a gente depois do desfile). Tudo apresentado aqui foi muito, muito belo. A cartela de cores e, principalmente, o mix-and-matching de Rober supera todas as expectativas, é genial, lindo, exuberante, contemporâneo, inteligente e merece muitos mais predicados do que caberiam nesta resenha. Peça de uma cor, forro de outra, acessório de outra, e tudo (uau!) harmonizado. E cada item _vestidos, camisas, calças_ se torna automaticamente um objeto de desejo para qualquer mulher de fino trato.

Mas, de novo, onde estariam as ideias originais de Rober? Dá pra ver muita referência internacional aqui: Jil Sander, Balenciaga, Lanvin… mas, isso não é o ponto nevrálgico. Se inspirar numa grande marca, ou nas criações de um grande estilista, não é um problema, ainda mais hoje em dia, em tempos de reciclagem frenética. A problemática começa quando a identidade, ali sempre presente, acaba enfraquecida por ideias e propostas pouco digeridas, digamos assim. Seria como a diferença entre fazer um cover ou samplear uma música. O primeiro (cover) é uma reprodução. O segundo (sampler) é uma apropriação. Acreditamos que toda e qualquer apropriação é válida, e achamos também que neste desfile faltou ir um pouco além.

Talvez seja uma visão um tanto romântica, mas não deveria um estilista ter o compromisso em propor abordagens e ideias com um viés pessoal, autoral, quase que único, por mais que seu trabalho seja baseado em reciclagens e reapropriações (Marc Jacobs que o diga)? Faltou um pouco disso. Por mais que as construções, o glamour, as proporções e o recorte exalassem a identidade de Rober, sentimos falta do passo adiante, do fazer desse color block geométrico algo que a gente só encontre ali.

Sua modelagem continua impecável, sem nenhuma costura ou fio fora do lugar. Os tecidos usados, de diferentes pesos e texturas, também demonstram o domínio técnico do estilista sobre as matérias-primas que escolhe usar em suas coleções. As cores, como dissemos, são espetaculares, equilibradas e combinadas de uma forma surpreendente. Só ficou faltando, mesmo, a autoria, aquela assinatura que seria capaz de associar esta coleção ao seu nome.

VEJA AQUI AS FOTOS DO DESFILE ROBER DOGNANI VERÃO 2012

+ umagmag.com

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