Tarcísio Brandão vive experiência radical em busca das raízes brasileiras de seu trabalho

Tarcísio Brandão

PERFIL DE ESTILISTA

TARCÍSIO BRANDÃO

Determinação e paixão se tornaram adjetivos pequenos para definir o que o estilista Tarcísio Brandão foi capaz de fazer pelo seu projeto de conclusão de curso na faculdade Santa Marcelina, no ano passado. Tendo como tema a busca pelo autoconhecimento e pela identidade brasileira, ele passou um tempo vivendo com a tribo Asurini, sediada na reserva do Xingu, e no litoral do Ceará, acompanhando o trabalho das rendeiras. Ele explica que, para a psicanálise, o labirinto simboliza essa busca por se conhecer melhor. “Decidi unir isso ao fato de ter uma bisavó índia, fazendo ao mesmo tempo uma pesquisa sobre minhas origens”, contextualiza.

Tarcísio faz seu desfile de estreia na Casa de Criadores cercado de expectativas. O estilista brasiliense, hoje radicado no Rio de Janeiro, apresenta a coleção The Golden Age of BraSil, uma crítica à extração das matérias-primas nacionais, como ouro, pau-brasil, borracha, açúcar e café. Brandão desfila quinze looks -dez femininos e cinco masculinos – e mostra um trabalho feito com capim dourado (produto tipicamente nacional), grafismo indígena e renda labirinto. Como inspiração, ele bebeu em três fontes: imagens de Sebastião Salgado na Serra Pelada, o ensaio de ouro e sucata de Vik Muniz e a obra de Cândido Portinari que, segundo o estilista, “é um criador que olha para o trabalhador brasileiro”.

Look de uma das primeiras coleções de Tarcísio

Look de uma das primeiras coleções de Tarcísio

Tarcisio conta que, para dar corpo a essas referências, está usando o capim dourado, que é uma espécie de palha dourada e uma matéria-prima que só existe no Brasil. Além de trabalhar com essa matriz, Brandão recorre a duas ricas referências da cultura brasileira: a renda labirinto, muito utilizada por artesãs e costureiras do Ceará, e o grafismo indígena, que também tem elementos estéticos que remetem a um labirinto.

“Após a pesquisa in loco, acabei desenvolvendo minha própria pintura. Eu a apliquei nas rendas”, explica. Brandão afirma ainda que os desenhos corporais da tribo têm uma estética que lembra um labirinto por causa do grafismo geométrico. ”Todas as tribos têm um trabalho de desenvolvimento têxtil. Na Asurini, as índias têm uma estilização de pinturas corporais, isto é, elas reconhecem quem fez o que. Há uma estética de identidade e de moda dentro desses padrões. Por conta disso, desenvolvi minha própria vertente. Meu trabalho foi de pesquisa”, aponta o estilista, que também possui o braço tatuado com o mesmo grafismo.

Tarcísio Brandão
Site tarcisiobrandao.tumblr.com
Contato 11-96645-4644
e-mail tarcisiobrand@gmail.com
Facebook www.facebook.com/tarcisio.brandao

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