Ocupar é preciso! Rodrigo Bento, do Pilantragi, fala sobre a explosão do carnaval de rua em SP

Houve um tempo em que São Paulo tinha menos de 10 blocos de Carnaval espalhados pela cidade. A partir dos anos 2000, contrariando a ideia de que os sons eletrônicos iriam dominar de vez o mundo, os blocos com marchinhas, sambas, sambas-enredos e interpretações de canções modernas (David Bowie e por aí vai) tomaram conta da cidade com a proliferação dos blocos de rua. Rodrigo Bento pode se orgulhar de fazer parte dessa tendência. Jornalista por formação e atuante durante anos como estrategista de marcas de moda e música, ele se deixou ouvir pela arte e começou a atuar na noite como promoter de clubes como D-Edge, Glória, Hot Hot e The Society (Grupo The Week), entre outros. “Nesse fluxo de vivência resgatei minhas raízes e quando vi estava à frente da Pilantragi. Me tornei produtor e Dj com pesquisa dedicada à Música Popular Brasileira. Em 4 anos já me apresentei mais de 800 vezes, algumas delas dividindo palco com artistas que admiro como Gilberto Gil, Nação Zumbi e Margareth Menezes, entre muitos outros. Hoje me sinto completo. Percebo o potencial de cura que a música possui. O carnaval foi outro presente. Na verdade, nunca imaginei produzir um bloco de carnaval. Por um impulso positivo me joguei na história e hoje somos uma referência de felicidade e boa convivência no carnaval de SP”, diz Rodrigo Bento.

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Mas como aconteceu essa migração? “Os blocos foram uma consequência. Já trabalho com noite faz 11 anos. Porém, sempre como promoter. Desde que iniciei a Pilantragi, na minha festa de aniversário de 30 anos, resgatei minhas raízes e a minha paixão pela MPB. Em 4 anos já contabilizamos mais de 320 festas, 35 Ocupações gratuitas de espaços públicos e privados e 5 blocos de carnaval, o último com quase 30 mil participantes. A ideia do carnaval surgiu de repente e quando vi já era uma enorme responsabilidade. Dá trabalho, mas o amor pela folia sempre salva”, explica.
Como era o Carnaval de rua em São Paulo quando você começou o Pilantragi e como está agora, Rodrigo? “Quando comecei colocamos o bloco na rua durante 2 anos sem autorização prévia. Naquela época não existia um canal de comunicação com os órgãos competentes como hoje. Durante a gestão do Haddad muita coisa mudou para melhor. Ele agilizou os processos de ocupação de rua. Isso foi muito importante para todos. Legitimar o carnaval de rua é legitimar os direitos do cidadão. Afinal, a rua é nossa. A Secretaria de Cultura também teve papel extremamente importante nessa transição”.

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Na década de 90, por exemplo, ser moderno era curtir música eletrônica e era até cafona dizer que curtia carnaval. Hoje isso mudou, e o rock, a MPB e as muitas vertentes das musicas de carnaval são o último grito da moda. Concorda? “O movimento de valorização da cultura nacional é extremamente importante e urgente. E isso precisa ir além de qualquer modismo. Sempre absorvemos muita cultura de fora, incluindo a música. Para nós tudo ainda é muito novo. Essa ideia equivocada de que o que vem do exterior é mais atual fez com que durante muito tempo nossas raízes ficassem em segundo plano. O Brasil é inspirador e nada mais justo que valorizar o que temos de melhor. Isso inclui nossas manifestações culturais. Nós nunca paramos de produzir arte. Só deixamos de reconhecer como deveríamos. Nossos ídolos ainda são os mesmos, porém a nova geração segue na resistência. Essa luta é maravilhosa e me sinto feliz em fazer parte dela.

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Dá pra fazer um paralelo com a ocupação urbana de São Paulo nos últimos anos com a proliferação de blocos de rua? Fale um pouco sobre isso… “Com certeza. Nos últimos anos muitos Coletivos passaram a atuar na cidade com objetivo de resgatar a convivência de rua. Os blocos fazem parte desse processo. Hoje o carnaval de rua movimenta bilhões e, sobretudo, reúne pessoas de diferentes classes e lugares em torno de umas das maiores expressões culturais do nosso País. Estamos resgatando o que nossos avós faziam antigamente nos bailes de salão e nas festas de rua. Precisamos ocupar os espaços, sobretudo, com responsabilidade e com a certeza de que é na rua que os movimentos genuínos acontecem. Estamos aprendendo a viver esses lugares e a preservá-los. Para mim o desafio é fazer com que as pessoas cuidem do espaço público como se fosse sua casa. Precisamos desenvolver a convivência pacífica para conseguir desenvolver ideias maiores. A arte e a música são caminhos certeiros”, completa. 2017 vem aí!

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