Elle Brasil desafiou 7 estilistas da nova geração a reinterpretar o jeanswear. O resultado a gente reproduz!

A Revista Elle Brasil fez o desafio e o resultado foi animador. Elegeu sete novos nomes da moda nacional para mostrar como há espaço para transformar o tradicional jeanswear brasileiro em uma nova linguagem. “Renata Buzzo, Marcelo Von Trapp, Tom Martins, Rafaella Caniello, Leandro Benites, Andre Boffano e Sam Santos são os sete jovens talentos que acreditam nessa ideia e foram convidados pela ELLE a reinterpretar o jeans da Lez a Lez, usando esse tecido especial, e confirmar, sem amarras, que é possível ser muito criativo com o material”, explica a matéria publicada no site da Elle e que Casa de Criadores mostra abaixo, com os textos reproduzidos na íntegra! Lembando que é Juliana Jabour é a diretora criativa da Lez a Lez e nós temos aqui uma entrevista legal com ela. “Desde o seu surgimento, a calça jeans se adaptou muito bem ao nosso mercado, e com a inovação constante das empresas têxteis no País, hoje temos tecidos para os mais diversos climas e situações”, disse Juliana para a Elle! Vamos lá…

André Boffano e Sam Santos

A visão ampla e cuidadosa que André Boffano e Sam Santos sempre tiveram sobre a sua marca, a Modem, é algo raro de se encontrar em jovens talentos. Com apenas dois anos de estrada, suas peças de pegada industrial estão em cerca de 30 multimarcas espalhadas pelo Brasil, já ganharam as passarelas do Minas Trend e foram finalistas do ELLE Fashion Now, uma plataforma inovadora que apresenta grandes apostas das edições da ELLE espalhadas pelo mundo. “Queríamos fugir dessa frustração da cliente chegar na loja e encontrar algo diferente daquilo que ela viu sendo divulgado”, explica André. “O acabamento impecável, a matéria-prima delicada, isso tudo é importante ao trabalhar com produto. Não queremos fazer só imagem”.

De fato, todas as roupas que os dois mineiros de 26 anos apresentam estão sempre prontas para ganhar as ruas. Apesar de bastante comerciais, elas não abrem mão de passar informação de moda, um mix raro de se encontrar no Brasil e que tem dado muito certo. “Achamos que a mulher brasileira procura uma roupa moderna, mas ao mesmo tempo real, algo que possa ir do trabalho até a noite, e que seja contemporâneo”, aponta Sam. “A roupa tem um shape, um DNA específico, mas é usável. Não estamos no momento de assustar ninguém.”

Para resolver essa equação e criar uma identidade, eles apostam em elementos específicos, como os detalhes de ilhoses, nas modelagens clássicas e na escolha de materiais certeiros, como o próprio denim. “O jeans é uma matéria-prima que desde a primeira coleção quisemos trabalhar por ser uma área de excelência no Brasil. Desde o início queríamos fazer algo diferente, uma forma bruta”, conta André. Tudo isso está traduzido neste look em que o casaco é protagonista. “Esse jeans bruto e de alfaiataria tem se tornado um clássico da marca. Neste projeto, pegamos todos os elementos com os quais sempre trabalhamos pensando bastante também nos metais”, explica Sam sobre a saia e o casaco criados com o tecido elástico, algo novo para quem está acostumado a trabalhar com jeans 100% algodão. “Foi divertido ver o caimento, como ficaria nessa cara de alfaiataria que a gente tem proposto”, finaliza.

Créditos: Reprodução Elle

Leandro Benites

“Há uma crença de que o minimalismo é uma coisa de fora, como se ele não existisse aqui”, diz Leandro Benites, fundador da BEN – uma das marcas mais interessantes do line-up da Casa de Criadores. “Mas, na verdade, existe, sim, um minimalismo à brasileira. Ter um ateliê no centro de São Paulo foi o que mudou a maneira como eu enxergava essa questão.”

Segundo o designer, ele é o maior adepto do #Xuxismo, um estilo divertido que remonta os shapes oversized dos tempos áureos da rainha dos baixinhos, mas não o detalhamento excessivo da mesma época. “Eu sempre acabo buscando uma referência da minha infância”, explica a respeito do estilo de sua etiqueta.

Autointitulado o “clichê do estilista”, Leandro – sempre bem-humorado – lembra que era desses que amava fazer roupinhas para bonecas e sempre gostou desse universo. “Depois trabalhei para várias marcas, o que me ajudou muito no sentido de entender melhor a dinâmica de fornecedores e acabamentos.”

Hoje, sua marca é queridinha da turma cool de São Paulo, e o seu maior desafio é se adaptar a um público que não para de expandir. “Antigamente, eu levava muito em consideração essa cliente jovem. Agora, percebo que, de repente, uma mulher mais velha também pode se apaixonar pelo meu trabalho.” Não à toa, ele não pensa mais em gênero, idade ou tamanho quando está criando. “Eu quero fazer uma roupa que possa vestir qualquer um”, resume.

Para reinventar o jeans da Lez a Lez, sua ideia foi trazer um contraste entre uma jaqueta bem estruturada com mangas recortadas e um maiô do tipo asa-delta que aproveita a elasticidade do material. “Por mais que ele seja azul, o tecido acaba sendo um neutro, e isso é incrível. Comecei a trabalhar com denim na temporada passada e a experiência foi muito positiva. Sem dúvidas, é algo que quero continuar a fazer.”

Créditos: Reprodução Elle

Renata Buzzo

O casaco criado por Renata Buzzo resume muito bem o seu trabalho. Sobre um tecido que supostamente não permitia intervenções como rasgos e fios desfiados, a estilista desafiou a trama penteando-a para criar a textura couture da peça. A estratégia se aplica em quase tudo o que ela faz: a jovem designer é obsessiva, e sua relação com os materiais com os quais trabalha é de dentro para fora.

“Minhas peças demoram muito para sair do papel. Faço tudo à mão e meu time se resume a mim e à minha assistente. Nada é terceirizado”, explica. “Não consigo atender uma demanda maior e nem tenho essa pretensão. Minha ideia é continuar slow fashion. Só assim é viável manter o meu estilo como ele é.” O que sustenta a moda de sonhos criada por ela é sua linha de noivas que, nem por isso, apela para o óbvio. “Se elas estão à procura de algo mais convencional e não aceitam de jeito nenhum sair um pouco da caixinha, eu sou obrigada a indicar um outro profissional. Não rola prostituição”, decreta.

Créditos: Reprodução Elle

Além de tudo, ainda existe um cuidado enorme com a procedência da matéria-prima: nada tem origem animal. “Antes eu precisava explicar o que era veganismo, mas acho que isso está mudando. As pessoas parecem mais conscientes”, avalia. “Também gosto muito de trabalhar com materiais mais inusitados. Por exemplo, na próxima temporada, vou fazer roupas com estopa. Fizemos um tratamento incrível em cima dela. Já pensou conseguir gerar desejo em cima disso?”

É esse tipo de abordagem que fez com que as suas roupas ganhassem reconhecimento na Casa de Criadores. Os desfiles de Renata surpreendem por destrinchar temas que vão da vida amorosa a particularidades do universo feminino. Seu feminismo se expressa na fixação com que elabora suas peças num processo quase terapêutico. “Essa subversão da delicadeza nunca foi algo intencional, mas é impossível trabalhar essa ideia com o meu background que é todo tomboy, quase agressivo”.

Marcelo Von Trapp

Foi a curiosidade que uniu Marcelo Von Trapp à moda. Do interesse infantil em saber como as coisas são feitas — aos 11 anos ele começou a desmontar roupas de família para entender a construção das peças — ao desejo de encontrar novas formas de apresentar seu trabalho e se conectar com as pessoas com quem colabora, o estilista passou por muitas experiências até decidir lançar a marca que leva o seu sobrenome.

De formas distintas, o Chile, a Inglaterra e o Brasil, países onde morou, influenciam suas criações produzidas, assim como Renata, de forma slow fashion. “É uma mistura mesmo, meio esquisita, na verdade. Os chilenos sempre foram muito formais na maneira como se vestiam. Preto, marrom, azul marinho, tudo muito careta e tradicional, mas pela minha descendência escocesa tive curiosidade de entender”, exemplifica. “E isso misturou com o Brasil que é uma coisa mais de corpo, pele, nua. Acredito que os opostos se equilibram”. Em Londres, onde estudou na conceituada Saint Martins e angariou um estágio na Saville Row, ele se aprofundou na alfaiataria e se encantou pelos processos: “Tive curiosidade de entender como aquilo era realmente feito. Há muitas coisas que a gente não vê, não é externo, está por dentro como se fosse a estrutura de um edifício. É preciso construir uma fundação para conseguir a forma final”.

Toda essa valorização do artesanal que ele aprecia não tinha muito a ver com os empregos em grandes marcas (ele passou pela Grendene, Arezzo, C&A, Le Lis Blanc), e ano passado ele finalmente se sentiu pronto para alçar voo solo seguindo uma fórmula de moda mais calma, com atenção aos detalhes, aos materiais e às pessoas. “Nada do que eu tenho na coleção é importado, tudo é feito no Brasil com a matéria-prima mais natural possível. Todos que trabalham comigo são de São Paulo, a maioria da periferia, e trabalham em casa. Eu queria que, de alguma forma, fosse um processo menos industrial”.

Em parceria com o amigo artista plástico Renato Rios, Marcelo fez um processo químico no jeans para descolorir algumas partes e conseguir pintá-las, criando assim um desenho único em um material desafiador. “O jeans elástico não é algo que eu costumo trabalhar, mas é uma construção do próprio fio e eu achei isso interessante. Coloquei algumas peças que já eram clássicas da coleção com elementos que eu sempre uso, como o plissado”. O resultado, que tem a ver com uma série sobre os quatro elementos à qual ele anda se dedicando, representa o ar, uma leveza em um material tradicional.

Créditos: Reprodução Elle

Rafaella Caniello

“Eu gosto das costuras aparentes justamente para valorizar o trabalho da costura, dos plissados, das amarrações e das cordas. São coisas que se tornaram minha identidade”, diz Rafaella Caniello sobre as peças amplas que criou. “Preciso ver o tecido antes, colocá-lo no manequim, ver como ele pode ser trabalhado da melhor forma. Eu não consigo pensar no bidimensional sem ver a matéria”.

Esse jeito de considerar os materiais antes do desenho tem muito a ver com o nome escolhido pela jovem de 22 anos para a sua marca, a Neriage. O termo é usado na cerâmica japonesa para representar a mistura de diferentes cores de argila que, juntas, formam um efeito marmorizado em que são preservados os tons originais. “É como se tudo aquilo fosse único e harmônico, mas tem essa marca de cada parte, e isso resume bem o meu trabalho”, explica a estilista. “Ela é uma simbologia da mistura de ideia que não se transformam em uma coisa esquizofrênica, mas em algo que, quando você se aproxima, vê que ali existem coisas diferentes que conversam”.

A marca nasceu do TCC da recém-formada, ganhou espaço no Projeto LAB, da Casa de Criadores, e virou um das melhores revelações do evento. Aplaudida pelo público e pela crítica, ela logo foi convidada para vender suas roupas na UDesign, uma plataforma virtual que trabalha sob demanda, um jeito inovador de não gerar gastos e resíduos desnecessários. “Isso é ótimo para mim e para as pequenas marcas porque temos um superproblema de estoque na moda. O estoque gera lixo, acúmulo, desperdício e isso é uma coisa que as pessoas estão começando a se conscientizar. Finalmente, todos estão tendo que refletir sobre o ritmo de produção e sobre como as coisas são feitas”.

Com calma, mas já em expansão, a estilista ainda gerencia a marca sem ajuda, o que faz com que ela seja puro reflexo de suas referências e inspirações, principalmente da poesia e filosofia. “Eu queria muito ser escritora e descobri que eu poderia ser de outra forma, eu poderia ser escritora através da moda, e achar um jeito diferente de fazer as coisas. Encontrei um jeito de unir essas duas coisas e fiquei muito feliz com o resultado. A moda precisa um pouco dessa visão mais poética”.

Créditos: Reprodução Elle

Tom Martins

Tem algo de monástico na roupa da Martins Tom, marca que inverte o nome com o sobrenome do estilista que a fundou com a ajuda de um sócio, seu amigo Bruno Dalto. Com apenas 22 anos, o jovem designer recém-formado pelo Senac tem uma visão muito clara de seu estilo.

Tom Martins, da Martins Tom.
Tom Martins, da Martins Tom. (Mariana Maltoni/ELLE)
Para entender do que se trata, vale listar algumas palavras-chave: oversized, clean e, é claro, jeans, estão entre os pilares que sustentam a imagem de sua neolabel. O combo, inclusive, já conquistou as multimarcas mais descoladas de São Paulo e fez com que as peças de Tom ganhassem as araras da Choix e da Pair, por exemplo.

“Minhas criações são todas largas. Assim, elas sempre vão vestir quem estiver a fim de usá-las. Basta um ajuste aqui e outro ali para deixar tudo certinho. Mesmo assim, meus clientes sustentam o visual amplo sem grandes alterações”, diz. A fixação pelo denim também não é por acaso. “Além de ser um tecido muito ligado à cidade, ao urbano, ele também é completamente atemporal.”

Ou seja, quando se fala de Martins Tom, nos deparamos com uma moda 100% democrática – bem no mood da sua geração de estilistas que não só se preocupa com criar uma roupa criativa inteligente, mas também com quem vai vestir essas peças.

O jeans da Lez a Lez ganhou nova roupagem em suas mãos. Aqui, o avesso vira protagonista para dar vida a um look meio monge, meio samurai, e muito chic.

EQUIPE

Fotógrafa: Mariana Maltoni | Stylist: Marcell Maia | Beleza: Helder Rodrigues (com produtos Natura e Redken) | Produção Executiva: Gregório Souza | Produção de moda: Matheus Andrease | Tratamento de Images: Thiago Auge | Assistentes de Fotografia: Renan Vitorino e Atiki | Assistente de Beleza: Juliana Vacaro | Modelos: Karolina Bretzke e Aléxia Von Igel (Ford) | Acessórios: Óculos de Metal, B.Luxo / Botas de Couro, Prada no Frou Frou Brechó / Óculos de Acetato, Minha Vó Tinha / Botas, Frou Frou Brechó

 

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