Fé, força e resistência na coluna de Luigi Torre: “2017, A MODA E GIFS!”

Por Luigi Torre

Chega, gente. Não dá mais. Mas ainda faltam duas semanas para o fim do ano de fato, pra gente poder beber como se não houvesse amanhã, esquecer de tudo e tomar fôlego para um ano que não promete ser mais leve e menos sofrido que este 2017. Mas, de novo, chega. Ninguém aguenta mais falar de assuntos pesados, ninguém aguenta mais discutir, ninguém aguenta mais pensar. Este que vos escrever incluso. Então, na coluna dessa semana vamos fazer algo diferente. Vamos reagir sobre alguns acontecimentos e assuntos deste ano. Em GIFs.

CHEGA MAIS, RAF!

Porque nem tudo é lamúria, né anjos? Logo no começo do ano, Raf Simons mostrou a que veio — e com tudo — na direção criativa da Calvin Klein. Logo de cara, no seu primeiro desfile para a marca, na semana de moda de Nova York, colocou os dois pés na porta e, com uma coleção sobre o estilo de vida e ícones americanos, mostrou que moda é sim política e uma poderosa ferramenta de expressão cultural. Ah, e na temporada seguinte, mais um lacre com a desconstrução e subversão do american dream, com referências à pop art e a filmes de terror. #rafwhores com orgulho.

MODELO TAMBÉM É GENTE

Porque parece que alguns profissionais ainda não se ligaram disso. Uó. Durante os desfiles internacionais de fevereiro e março, o diretor de casting e agente James Scully fez textão nas suas redes sociais para denunciar maus tratos com modelos por parte de algumas marcas de luxo e profissionais renomados do mercado.

MODAS E PESSOAS (NO PLURAL MESMO)

Apesar de todos os pesares — e não foram poucos —, 2017 foi ano em que a gente mais falou, discutiu e exigiu diversidade e representatividade na passarela e na moda como um todo. Foi o ano em que barreiras e conceitos antigos começaram a cair. Foi o ano em que começamos a conversar mais enfaticamente (às vezes até bem acaloradamente) sobre corpos diferentes, sobre peles diferentes, sobre gêneros diferentes, sobre idades diferentes. Foi o ano em que falamos de moda feita para seres humanos e não apenas para consumidores ambulantes. E é só o começo!

MACHISTAS NÃO PASSARÃO!

Teve também Harvey Westein e mais toda a lista infindável de machistas assediadores. Teve também a lista infindável de mulheres que decidiram não se calar e fazer algo a respeito. E teve alguns players poderosos da moda, finalmente, reagindo às práticas veladas (mas nem tanto) de alguns profissionais da indústria.

OLDIE BUT GOLDIE

Como esquecer do momento em que Donatella Versace parou a internet e dominou as conversas de quem estava acompanhando as semanas de moda internacionais? Foi no final do desfile de verão 2018 da Versace, uma grande homenagem a Gianni Versace, quando Naomi Campbell, Helena Christensen, Cindy Crawford, Claudia Schiffer e Carla Bruni entraram na passarela ao som de “Freedom”, de George Michael.

Um grande bapho, mas também um pequeno lembrete de como a moda hoje anda um tanto sem emoção, quando comparada com aquela de anos atrás.

RIP

E também como esquecer a grande perda que foi a morte de Azzedine Alaïa, uma das vozes independentes e não-conformistas mais relevantes e criativas da moda do século 20.

LIBERDADE DE SER E DE VESTIR

Mas provavelmente o que mais marcou a moda neste 2017 de sofrência foi a resistência. Resistência de todo mundo que se recusou abaixar a cabeça, se conformar e aceitar o que nos era imposto diariamente e a duras custas. Resistência de quem não se reprimiu e escondeu quem é ou quer ser através de roupa padrãozinho, de quem não deitou e vestiu o que diziam que não era para ser vestido, de quem brilhou e lembrou que fervo também é luta e um pouco de diversão, extravagância e ousadia no guarda-roupa é essencial para uma vida mais leve e verdadeira.

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