Sem meias palavras, alguns assuntos que permeiam a moda em entrevista com David Pollak

David Pollak? A moda brasileira conhece bem. Stylist de grandes marcas e desfiles, viveu o boom da moda nacional nos anos 90 e começo dos 2000 e segue imprimindo seu estilo em marcas como Reserva, Cavalera e Amsterdam Sauer. Em nova fase, Pollak agora muda de agência e explica a decisão: “Acho que hoje, com a velocidade das mídias e circulação virtual, temos que nos organizar e contar com um agente que nos ajuda a resgatar clientes antigos e abrir novas portas”, diz ele sobre a ODMGT. Para a Casa de Criadores, ele fala sobre assuntos que pautam a moda mundial… de um jeito rápido e direto!

A MODA EM 2018
“Acredito que as maiores mudanças estão no ritmo e velocidade em que as imagens se espalham. Existe também uma forte presença das misturas de períodos e etnias da moda, o que se vê nas ruas, e a desmistificação dos símbolos de luxo”. Sobre o Brasil… “O profissionalismo garante bons clientes e a moda brasileira passa por transformação. Acredito que é a vez dos menores e das colaborações para viabilizar os projetos.”

ANOS 90 X 2018
“Acho que crescemos, mas com menos dinheiro. Isso tem a ver com a diminuição das vendas etc, e também voltamos a comprar em brechós. O boom da moda nos anos 90 veio destemido, então foi um grande acontecimento tanto como estética quanto mercado.”

GENTE QUE NÃO CABE MAIS?
“as escolas e faculdades lançam “profissionais” todos os anos e o mercado tem que absorver. Mas acredito que carreiras sólidas vão resistir. Acho que a prática e a vivência do set ajudam e podem formar bons profissionais habilitados para trabalhar.”

INFLUENCERS WHO?
“Acho normal… para mim não funciona, mas tem um enorme alcance. Acho que dividiu um pouco o mercado, pois é a informação através do olho do consumidor. Não necessariamente isso é bom, acho que cria um distúrbio de identidade e relação com o consumo.”

MODELS + MODELS
“Renata Scheffer, Lais Scolaro, Lavínia, Babi Valente e também a Amira, que acho maravilhosa. Tem várias boas. Não tenho um nome de preferência, mas vejo que alguns meninos estão chegando mais longe como o Efrain e o Ariel.”

SEM GÊNERO E A TAL RESISTÊNCIA
“A moda tem que andar de mãos dadas com tudo isso, refletindo o que estamos vivendo e nossas necessidades de evolução e inclusão. mas acredito que tem muito oportunismo também dentro da comunicação, o processo de produção e o que realmente pensam as cabeças que desenvolvem isso. Acho que é muito positivo, mas temos que reparar no que é muito marqueteado. E no que realmente está sendo conquistado efetivamente através desta consciência?”

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