Chegou o 26º Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade. André Fischer fala sobre conquistas e novos desafios!

Já se vão 26 anos do festival Mix Brasil, que neste ano acontece de hoje (15/11) ao dia 25. Adotando pertinentemente a #PensoLogoResisto, o festival olha mais do que nunca para a onda de obscurantismo conservador e reafirma que “é e continuará sendo o mais consistente ato de resistência cultural LGBT do nosso país”.  “A Resistência de que falamos hoje não se refere apenas a Direitos Civis e Humanos, tanto os conquistados quanto os que estavam entrando em pauta. É o própria Cultura que está em risco. Mas é para isso que estamos aqui, existindo e resistindo”, diz o texto no site do Mix Brasil assinado por André Fischer e João Federici, que encabeçam o projeto. Lembrando que o festival acontece em vários pontos de São Paulo, como CCSP, CineSesc e Olido. Fique de olho.

Neste ano são mais de 100 filmes exibidos, com destaque para o grande número de diretores e uma retrospectiva histórica de cinema. Entre os brasileiros, estreiam o Panorama Nacional, que se soma à Mostra Competitiva com um total de 20 longas. “Vale destacar a poderosa produção de curtas que veio do Rio de Janeiro, prova da resistência artística na cidade que tem sofrido mais acentuadamente a crise econômica e os efeitos do ultraconservadorismo. São Paulo continua o maior e mais diverso pólo produtor, e as regiões Norte e Nordeste têm desenvolvido novas linguagens cinematográficas muito particulares e com forte presença de personagens e temas LGBTQI”, continua a o texto.

Mas ainda tem espaço para outras áreas do audiovisual, com o eixo Games em parceria com a Abragames e o BIG Festival, além de Literatura em mesas e workshops com mais de 60 nomes fundamentais do cenário editorial nacional. Mix Music e Dramática em Cena fazem reúnem espetáculos e nomes que marcaram as cenas musicais e das artes cênicas. João Nery, símbolo de coragem e persistência da comunidade trans mundial que morreu recentemente, é homenageado com o Ícone Mix. E Johnny abre o festival com um show que promete. Pois bem: para falar sobre o 26º Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade, conversamos com André Fischer. Saiba mais aqui.

Casa de Criadores – Conte sobre esta ediçao do Mix Brasil, os principais filmes, participações especiais, festas em torno e outras novidades.
André Fischer – “Entre os destaques de cinema, sem dúvida a produção nacional que bateu recordes e vem sendo premiada internacionalmente: tem o Bixa Travesty, doc da Linn da Quebrada e Tinta Bruta que chegam aqui depois de ganhar em Berlim e vários outros festivais. Entre os estrangeiros os novos de Gus Van Sant (A Pé Ele Não Vai Longe) , Christophe Honoré (Conquistar, Amar, Viver) e Wash Westmoreland (Colette) e o Foco Pioneirismo Lésbico na Direção. Além disso, espetáculos de teatro, shows, a volta da seção de Literatura, a Conferência que esse ano tem a estreia da seção de Games – há uma nova cena de desenvolvedores que está colocando a temática da diversidade e revolucionando esse meio que era bastante misógino e homofóbico até pouco tempo atrás.”

Casa de Criadores – Quais foram as atrações mais marcantes desses anos todos de Mix Brasil?
André Fischer – “Difícil compilar o melhor de 26 anos. O Mix foi acompanhando a própria história do movimento LGBTI no Brasil…”

Casa de Criadores – Vivemos nesta época de caça aos direitos LGBTI. Como o Mix Brasil vai resistir a esses tempos bicudos?
André Fischer – “Esse é o grande desafio e é inclusive o tema desta edição. Vamos ter 11 dias para pensarmos juntos os caminhos possíveis e como vamos nos articular. Ser LGBTI no Brasil hoje significa estar na linha de frente dos ataques dos ultraconservadores. Precisamos nos organizar e entender que somos um grupo vulnerável mas que podemos resistir se estivermos unidos. Ninguém deve largar a mão de ninguém!”

Casa de Criadores – Você tem encontrado dificuldade com patrocinadores ou perseguições nas redes sociais?
André Fischer – “Este ano conseguimos manter os nossos patrocínios, o que foi uma bênção em um ano de cancelamentos de apoios na cultura. Vamos ver como vai ser ano que vem…”

Casa de Criadores – Quem são os personagens que fazem parte da história do Mix Brasil?
André Fischer – “Nossa, tanta gente… Marisa Orth, a eterna poderosa do Show do Gongo, Gus Van Sant, Bruce LaBruce, João Nery, a impagável Ida Feldman, Travis Mathews, Silvetty Montilla, Renata Bastos, Suzy Capó, Kaká DiPolly, Pomba, Julia Catherine, Gustavo Vinagre, Esmir Filho, Karim Aïnouz, Barbara Paz, Maria Clara Spinelli, Aretha Sadick…”

André Fischer, resistindo sempre / Foto: Divulgação

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