Vem para as ondas musicais de Demetrius Lulo, que bebe de fontes tropicais da MPB

Salve a nova safra da MPB, salve Demetrius Lulo, que começou no teatro logo cedo e já tem bastante história pra contar: “Meu primeiro trabalho, aquele que considero como o início da minha carreira, foi numa peça de teatro na qual eu tocava violão e cantava, participando da trilha sonora do espetáculo que era executada ao vivo. O teatro foi a minha porta de entrada para o mundo profissional das artes. Foi quando tive contato com artistas profissionais e suas loucuras maravilhosas, os problemas e as preocupações com o público, as dificuldades e facilidades em se viver de arte. Tive contato também com os textos do Chico Buarque, por exemplo, e busquei entender toda a complexidade da obra dele, que me influenciou muito no início da minha vida como músico.”

Quando adolescente, o Chico representava para Demetrius o ideal de artista. “Integrava literatura, teatro, música, tudo o que eu sempre amei. O teatro também me trouxe minha maior influência que é o entendimento do show musical como um espetáculo e não simplesmente como uma apresentação das músicas que fiz ou o ‘subir no palco pra tocar’ e pronto. Não! O que gosto mesmo e que procuro fazer sempre que possível é pensar no espetáculo, no todo, no roteiro, na luz, no cenário, no figurino. Até mesmo de não necessariamente representar a mim mesmo durante o show, mas de assumir o lugar de personagem, por mais sutil que ele seja”, continua.

Demetrius e os instrumentos
“Canto, toco violão e guitarra. Realizei diversos trabalhos como instrumentista, acompanhando cantores em shows, participando de gravações de álbuns de outros artistas, ou mesmo no teatro, executando sonoplastia e trilhas sonoras ao vivo. Acompanhei por um bom tempo a cantora Tiê, antes de a gente se entender como artistas criadores, quando executávamos música de outros artistas em eventos, festas etc. Hoje em dia ainda atuo como instrumentista, acompanho a cantora Rhaissa Bittar em seu último trabalho. Temos realizado muitos shows ultimamente.”

Como você se define?
“Minha música é uma mistura das coisas que me influenciam, daquilo que está mais presente na minha memória com as coisas que ouço na minha imaginação, que ainda não existem, a escuta do que eu gostaria de escutar, a mensagem que me parece estar no ar e que precisa ser organizada, traduzida pela composição. Faço canção, gosto de fazer canção, de comunicar a palavra pela música, a música pela palavra. É o que hoje mais faz sentido pra mim, essa busca da mensagem através da música. Não existe limite de estilo ou gênero nesse sentido. Há uma grande influência da música que sempre ouvi sobre o resultado do que eu crio, mas penso estar totalmente aberto a novas experiências de gênero musical. Acho que a melhor forma de definir minha música é dizer que faço canção brasileira, sempre buscando algum tipo de comprometimento com o que me parece novo, com o que me parece estranho por ser diferente do caminho óbvio, mas sempre no limiar entre o óbvio e o estranho pra nunca deixar de comunicar.”

Pelo mundo
“Quando tinha 22 anos tive a sorte de ir pra França e de poder mostrar meu trabalho como músico desde o primeiro momento que em cheguei lá. Conheci muita gente e muitos lugares, cada lugar me conduzia a outro e mais outro e assim acabei conhecendo diversas cidades e pessoas naquele país. A partir daí, as portas foram se abrindo e eu mesmo passei a organizar outras turnês em outros anos, sempre por minha conta em conjunto com amigos e produtores de lá. Conheci muito, sobretudo da França. Depois, Alemanha, Espanha e Portugal. A cada ano eu tentava organizar algo maior e mais bem estruturado até que cheguei a lançar o álbum ‘Café da Tarde’, em parceria com a cantora Paula Mirhan, quando realizamos mais de 27 shows em 40 dias, entre Portugal e França. Penso que realmente a música necessita disso, necessita que o artista vá até as pessoas, a gente precisa se aproximar das pessoas e ir para os lugares. Penso que esse é o maior presente na carreira de um músico.”

Demetrius Lulo / Foto: Reprodução Facebook

Cabe moda no palco?
“Adoro moda, apesar de não conhecer tanto quanto gostaria. Moda é arte, é necessária pra girar uma roda econômica importantíssima que tange a vida de todo mundo em vários âmbitos, inclusive da personalidade das pessoas. Penso em figurinos, gostaria de poder vestir em cada show meu um figurino diferente, bem exuberante, bem inspirado nas passarelas. Acho importantíssimo pro artista, pro palco e, mais do que importante, algo muito intrínseco na forma da gente se comunicar e se relacionar com o mundo.”

Ultimamente tenho…
“Pensado e criado para meu novo álbum, que pretendo me aprofundar muito nesse ano de 2019. Ainda não tenho nenhuma previsão de lançamento. Além disso, nesse momento do ano tenho me preparado para o Carnaval. Sou muito do Carnaval, amo de verdade, me dedico, vivo pra ele. Acho que é a melhor parte de ser brasileiro. Componho músicas de carnaval, crio fantasias, tenho meu próprio bloco. Nessa época do ano esse é sempre o meu maior foco.”

O significado da música
“A música tá presente na minha vida desde a infância. Comecei a tocar e cantar muito novo. Nunca me entendi nem me vi em outro lugar. Arte é uma coisa muito profunda e pra pretender fazê-la com algum comprometimento é preciso muito tempo de estudo, trabalho e dedicação. Acho que poderia e ainda posso vir a caminhar por outros ramos artísticos, como teatro, cinema, mas por enquanto tô gostando de me aprofundar na música. Me encanto muito por ela. Não acho que as outras artes não me dão o que a música me dá, acho que eu é que não dou o suficiente pras outras artes como sou capaz de dar pra música.”

Bis: Demetrius Lulo encerra esta conversa contando que “gostaria de tocar com meus amigos, meus contemporâneos, meus parceiros. Pessoas da minha geração que têm ideias que caminham na mesma direção das minhas. Já meus ídolos prefiro assistir, me inspirar, vê-los fazer o seu melhor. Gostaria sim de compor, de produzir com meus ídolos, mas não necessariamente tocar junto com eles. Gosto de me surpreender com o novo, com a capacidade de se recriar que todo grande artista tem, é isso o que me dá mais vontade de seguir criando. Meus maiores ídolos são Caetano e Gil, entre vários outros grandes do Brasil que já devorei de tanto ouvir e de me aprofundar. Mas Caetano e Gil me inspiram realmente de outra forma, pela vitalidade e comprometimento que carregam em suas carreiras, o lado carnavalesco do Caetano, o lado filósofo do Gil, a infinitude de suas obras. Acho eles realmente incríveis”. Play nos vídeos abaixo!

 

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