Cinco vezes sound system: os melhores sistemas de som de SP com o melhor da cultura jamaicana

A cultura do sound system surgiu na década de 50 na Jamaica. A fim de promover lojas, alguns jamaicanos teriam colocado caixas ou gramofones na rua e uma vitrola rodando R&B americano para chamar a atenção dos clientes. Há outra versão, que a gente também conheceu em sites de cultura reggae: com a crise no país na época, era mais barato usar caixas de som com DJs do que contratar músicos para as festas.

A real é que o sound system ganhou o mundo primeiro pela Inglaterra, onde há uma comunidade forte de jamaicanos, e chegou ao Brasil no final dos anos 90 e começo dos anos 2000, trazendo música jamaicana e abraçando as causas da cultura negra e periférica. Neste caldeirão há ritmos caribenhos, R&B, jazz, ska e por aí vai… Casa de Criadores, como sempre faz, pediu ajuda para quem entende do assunto. Quem indicou 5 coletivos de sound system pra gente foi Ingrid Soares, que nasceu e vive na zona norte de São Paulo e é gestora de redes e parcerias do Centro Cultural da Juventude.

1 – O Dubversão é dos coletivos pioneiros do Brasil. Fez sua primeira festa em 2001 e em 2002 já colocou as caixas nas ruas da cidade, além de uma residência no absurdo Susi in Trance. O Susi in Dub reunia 200 pessoas por festa. Entre os nomes que se destacam no projeto estão Yellow P, Magrão, Dubversão, Susi in Trance e Java.

Dubversão Sistema de Som / Foto: Reprodução Facebook

2 – O Feminine Hi-Fi nasceu em 2016 e foca tanto na valorização do papel da mulher no contexto dos sistemas de som característicos da cultura jamaicana quanto na promoção da linguagem do reggae como expressão contra a opressão social vinda das questões de gênero. Trabalha com intervenções de cantoras, singjays e MCs e a seleção musical passa pelas eras da música jamaicana e produções nacionais correlacionadas. Também realiza atividades como bate-papos, workshops, exibição de documentários e oficinas pelo Feminine Hi-Fi Lab, e conta com o selo Feminine Hi-Fi Tunes, dedicado à gravação, promoção e distribuição musical com foco nas vozes femininas do reggae.

Feminine Hi-Fi / Foto: Reprodução Facebook

3 – Fundado na Vila Nova Cachoeirinha em 2007, o Quilombo Hi Fi foi o primeiro sound system periférico e afrodescendente de São Paulo. Por meio de seus aparatos, integrantes, reprodução de sons dos vinis e produções próprias, promove atividades relacionadas ao reggae, dança e educação, propagando a ideia de paz e igualdade social. Em novembro do ano passado comemorou 11 anos e comemorou no Centro Cultural da Juventude.

Quilombo Hi-Fi /Foto: Reprodução Facebook

4 – Radiola Preta Sistema de Som é um projeto sonoro criado em 2013 por Christopher com o intuito de promover a pesquisa sonora explorando as diversas potencialidades das vertentes jamaicanas. Em 2007, Christopher atuava na cena underground de Londrina, no Paraná. Em 2013, em São Paulo, fundou a Radiola Preta e desde então segue fielmente a matriz jamaicana, com um potente sistema de som que amplifica a música reggae. Atualmente junto com Lui Campos formam uma dupla de soundman’s: Lui Campos é box designer e vocalista, atua na frente e atrás das cortinas.

Radiola Preta Sistema de Som / Foto: Reprodução Facebook

5 – Surgido em 2007, o África Mãe do Leão Sistema de Som atua defendendo a cultura africana com três eixos: apresentações reggae sistema de som, oficinas e rodas de conversa. O reconhecimento do trabalho pode ser visto pelas suas premiações no Programa Vai e Edital de Apoio à Criação Artística – Linguagem Reggae pelo seu trabalho com a oficina “Por dentro do sistema”, que já foi realizada no Museu de Arte de São Paulo.

África Mãe do Leão Sistema de Som / Foto: Reprodução Facebook

E abaixo, Ingrid Soares! Valeu pelas dicas!

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