Diego Gama busca nas crises afetivas o tema para o ensaio fotográfico de sua nova coleção

Acaba de sair do forno a coleção KAFU’NU da diegogama, que propõe um olhar para a maneira como cultivamos nossas relações na atualidade. “Se concordarmos que uma angústia generalizada se instala em nossos corpos nos últimos anos, perceberemos que a causa dessa ‘crise’ é, também, uma ‘crise afetiva’. Afinal, tornou-se coletiva a sensação de carência e desconexão consigo e com os outros. Não à toa, nosso país consome em torno de duas toneladas de remédios antidepressivos e ansiolíticos por ano. Qual seria a origem dessa sensação e de que maneira podemos intervir nesse processo que se agrava a cada ano?”, pergunta Danilo Patzdorf, que escreveu o texto da coleção para Diego.

E segue: “É neste clima embaraçado que estamos vivendo que o estilista se volta para suas relações pessoais, buscando extrair elementos (visuais, formais ou táteis) que ponham em questão aqualidade com que estamos tecendo nossos ecossistemas afetivos. Para tanto, a modelagem de cada look da coleção foi criada a partir de uma técnica tão experimental quanto metafórica: Diego convidou diferentes pessoas para permanecerem, por muitos minutos, em posições de demonstração de carinho (especialmente o abraço) enquanto as embalava completamente com fita adesiva, dos pés à cabeça, imobilizando os corpos temporariamente para extrair a superfície dessa forma que, após planificada, serviu de molde para dar início à construção de cada peça. Semelhante às coleções anteriores, Diego se lançou em um conjunto de experimentações delicadas sobre materiais e processos alternativos: silicone, argila, barbante, gravura em metal, cerâmica, estamparia manual e digital, pedras, plantas, tricô de náilon, espuma de poliuretano, gesso e látex se transformaram em roupas, calçados e acessórios. Deste modo, cada peça, assim como cada relação, é radicalmente única.”

E não são apenas as relações humanas que participam do equilíbrio desses ecossistemas afetivos. “O modo como nos relacionamos com o reino vegetal também pode servir de escola para desenvolvermos uma nova sensibilidade a partir da escuta: as plantas não falam, não se expressam e, nesse silêncio vegetal incorruptível até mesmo pela sede mais mortal, exigem de nós uma observação aguda das suas necessidades de luz e água, produzindo aí uma nova relação possível consigo, com o próprio corpo, com o espaço e com os outros a partir do cuidado. Talvez seja este o porquê de cada modelo ter se transmutado numa criatura vegetal: não vemos suas peles, não sabemos se são homens ou mulheres, nem sequer se são humanos ou robôs. Por isso, o desfilar dessas figuras, empoderadas com seus cabelos-planta, sugerem uma espécie de ‘devir-vegetal’ como um caminho possível para a serenidade fundamental em tempos de luta e transformação”.

Fotografia e Direção: Caio Ramalho
Modelos: Renato Henrique Teixeira e Joana Ferraz
Assistência: Alex Santos
Cabeças: Murilo Rangel
Patrocínio: Texprima Loja Oficina

Acompanhe os próximos lançamentos no Instagram da diegogama.

Compartilhe: