Leite mau na cara dos caretas: se liga nos 7 camaleões da nova geração do rap nacional

A nova safra do hip-hop nacional é pautada pela diversidade. São artistas que praticam muito bem a lição da Antropofagia (Abaporu em pauta…) ao misturar diferentes gêneros (da música negra). Entre com a gente na rima desses sete artistas…

Yzalú teve a bela sacada de misturar rap com violão e nesses 13 anos de carreira ascendeu como uma das mais criativas artistas da cena hip-hop. Com seu primeiro álbum, “Minha Bossa é Treta”, experimentou ritmos como rap, MPB, samba jazz e afrobeat. O trabalho de Yzalú transita entre a música e a transformação social, tendo reconhecimento de artistas como Elza Soares e Marina Lima.

Yannick é paulistano e começou no rap em 2010 lançando músicas na Internet com a ajuda de parceiros jovens dos guetos. Ao misturar rap com mangá e se auto-intitular “Afro Samurai” (tem pai negro e mãe de descendência japonesa), Yannick produz uma obra interessante que vai do lúdico (clipes, figurinos e postura de palco) ao contestador (com letras bem elaboradas e cheias de duplos sentidos).

O Coletivo QUEER é formado por cinco artistas negros e independentes do hip-hop. Gays assumidos, misturam o gênero com outros estilos como r&b, afropop e dancehall. O grupo Quebrada Queer promove vivências e sentimentos através da música negra periférica independente, ajudando a mostrar, inclusive, que há espaço na cena (predominantemente heterossexual) para artistas da esfera LGBT.

Edgar Pereira da Silva é um rapper de Guarulhos que explora em sua música a realidade social das periferias. Seu álbum de estreia é “Ultrassom”, de 2018, com 10 músicas de potente rap com letras se sobrepõem às melodias. Ele participou do álbum de “Deus é Mulher”, de Elza Soares. Figurinos malucões e uma pitada de música eletrônica dão ainda mais charme e visibilidade ao artista.

Forte representante LGBT da nova cena hip-hop, Roger Bugsy é poeta, músico e modelo andrógino na empresa Periferia Inventando Moda. Letras empoderadas e com crítica social, humor ácido e figurino Bowie + cabelo glam-rockabilly completam a cena. Abusado e criativo.

A rapper Monna Brutal vem chamando atenção pelo flow diferentão. Tem uma história antiga no rap, mas com este novo visual-identidade colocou seu disco “9/11” nas rodas mais modernas do país. Tem 21 anos e é mestre em rimas espertas que abordam questões como transfobia, machismo, dilemas da periferia etc. A produção musical do disco é de Z-Rock, com participação da poeta Katrina e da rapper Brisa Flow.

De Osasco, a rapper LAY nasceu pra música em 2016 com o EP “129129”, acompanhado do single ”Ghetto Woman”. Sua música tem influência no reggae (cultura sound system), que casou muito bem com sua raiz hip-hop. Em 2018 fez parceria com o selo do Dj KL Jay, o KL Música, e disso nasceu o single ‘’Mina De Ninguém’’, com batidas trap em 150 BPM. Neste ano saiu o single “#Minadeninguém”, primeiro do EP “Gatilho”.

 

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