Escritor e ativista do direito dos animais, Eduardo Logullo indica caminhos pra revolução vegana!

Jornalista e escritor dos mais respeitados, Eduardo Logullo vem travando uma batalha diária pelo direito dos animais. Nas redes sociais, ele não mede esforços para divulgar as barbaridades em torno da matança dos animais, sejam eles para consumo humano ou espécies selvagens que correm o risco de extinção pelas mãos desumanas dos humanos. Essa atitude muitas vezes radical (contêm imagens fortes) de mostrar os horrores da indústria da carne chamou a atenção da gente, que fez uma entrevista na qual o ativista expõe suas ideias e indica maneiras de entrar nesta luta pelo planeta.

A revolução vegana
Logullo se tornou vegetariano ainda bem novo, lá nos anos 1980. “A decisão veio porque sempre gostei/respeitei o mundo animal e percebia a crueldade da indústria de alimentos à base de carne, a tristeza do confinamento de aves e mamíferos para abate comercial, o terror dos matadouros e o descaso total pela dor/tristeza dos animais. Ao mesmo tempo, estudei e adotei o vegetarianismo sem nunca ter problemas de saúde (pelo contrário)”.

O upgrade para veio no final dos anos 1990, ao analisar outra espantosa crueldade. “A criação de vacas leiteiras confinadas em pé por anos em grades individuais, engravidadas apenas no intuito de produzirem leite. Quando os bezerros nascem, são separados das mães e abatidos. As vacas ficam abaladas e tristes, claro. E, a partir desta ruptura terrível, começam os trabalhos violentos de retirada do leite de modo mecânico. Pouco tempo depois, as vacas que fornecem o leite são descartadas e seguem ainda vivas para abatimento voltado à indústria da carne. Considero todo este processo terrível. Embora no passado os humanos comessem animais, inexistia a indústria de produtos bovinos, suínos e galináceos. A morte dos suínos é a mais terrível: são os mamíferos mais inteligentes e padecem de modo sinistro, aos gritos e uivos.”

Brasil vegano
Tendência cada vez mais em alta, o veganismo ganhou uma legião de novos adeptos no Brasil e, claro, veículos que divulgam e incentivam a prática. “Cresce a cada ano o número de adeptos do veganismo (ainda bem). Um site de 2018 enumera 50 blogs para os vegans. O portal Vegan Made Easy traz mil explicações e orientações para quem pretende adotar a vida vegana. E tem a incrível The Vegan Society, que traz cultura, propostas e assinala mudanças. Aqui em SP já existem restaurantes de comida vegetariana e a Feira do Parque da Água Branca tem uma ala grande de produtos veganos. Perto de onde moro, indico este restaurante inteiramente vegano, o Rota Veg, entre Santa Cecília e Higienópolis.”

Pensamento troglodita 
Muitas pessoas pregam que se alimentar de proteína animal “faz parte do ser humano”. Faz, Logullo? “Ah, no comments. A prova que posso dar/mostrar é meu corpo, minha vida e minha saúde. Nunca engordei um quilo há 25 anos, tenho saúde e músculos perfeitos, durmo bem, caminho uma hora por dia, invento coisas e vivo feliz assim”, diz.

Hipocrisia brasileira
Quem conhece o Logullo sabe que ele defende aquelas aves que muita gente destrata e as associam com doenças: os pombos. “Nada a ver associá-las a doenças. No Vaticano, por exemplo, existem 27 mil pombos. Todos os turistas que vão à Torre Eiffel tiram fotos com pombos nos ombros e na cabeça. Elis Regina gravou um disco em Londres em que a capa é ela cercada por pombos e sorrindo. O tal do Brasil é um país maníaco e que ataca a natureza. Já visitei 94 países e nunca vi repressão aos pombos. Em Istambul, por exemplo, nas praças públicas existem vendedores de rações para alimentar os pombos. Se aqui neste país alegam que ‘pombos passam doenças’ é porque se alimentam de restos e de lixo. Pombos são a segunda ave +++ inteligente do mundo animal (a primeira é o corvo negro, de bicão, do Hemisfério Norte, aqui nem tem). E depois estas mesmas pessoas que aqui condenam os pombos louvam a tal da “Pomba do Espírito Santo” (inclusive em muitos altares), citam coisas como ‘eles se amam como dois pombinhos’ e fazem campanha da paz imitando pombos com as mãos (isso sempre acontece)”.

Como cada um pode contribuir? “Ah… Nem sei. Cada qual tem que mudar o seu cada qual. E dar cambalhotas. E tentar preservar o planeta, a vida, os seres, a natureza.

Últimas andanças Logunianas
“Trabalhei de roteirista do programa ‘O Brasil É Aqui’, que criei por 4 anos para o Canal GNT/Globosat, viajei a todos estados do Brasil. No final, ao voar de helicóptero de Fortaleza a Camocim, cidade cearense quase divisa do Piauí, pude observar o grau de destruição das serra nordestinas: filas imensas de caminhões carregando toras de madeiras em áreas de preservação. Este país cada vez mais acaba com o seu mundo natural, devido ao controle de empresas ligadas ao capitalismo ultra-reaça que bancam as campanhas políticas. Sou bem pessimista em relação ao Brasil. Observei e visitei tribos indígenas, áreas que eram preservadas, sítios ecológicos, cidades históricas, praias desérticas, ilhas, arquipélagos fluviais. E percebi que tudo está sendo destruído: do Xingu ao Acre, do Amapá ao Rio Grande do Sul. Nada mais aponta sentidos positivos neste país. Triste constatar isso. (Ah, depois destas andanças múltiplas pelo país, publiquei dois livros grandes: “Capitais do Brasil” e “Brasil Panorâmico”, ambos pela Meta Livros).”

Novidades à vista?
“Prefiro nem contar agora. Estou preparando dois livros e depois revelo. Um se chamará ‘O Futuro Durou Muito Pouco’. O outro é segredo”, conta, Ah, algum projeto relacionado aos amigos animais? “Por enquanto ainda não. Mas quem sabe?”.

Na foto acima, luminária de pombo que Logullo trouxe do Museu de Arte Moderna de Praga. “Onde também os pombos são respeitados”.

Eduardo Logullo / Foto: Reprodução Facebook

 

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