Conheça a história e a coleção de Rafael Silvério, que estreia na 45ª edição da Casa de Criadores!

“Moda sempre foi uma vertente de onde eu podia expressar meus sentimentos. Eu rabiscava quase o tempo todo durante a infância, desde fundo de gavetas até as paredes da casa. Minha mãe e madrinha foram grandes consumidoras de moda na minha infância, então esse mood final dos ano 80 até meados da década de 90 é bem forte no meu subconsciente coletivo, de uma forma ou outra sempre se projetam nos meus desenhos”, conta Rafael Silvério, que estreia na 45ª edição da Casa de Criadores em julho.

Primeiro acessório 3D em parceria com a marca We Me / Foto: Divulgação

Mas antes, um pouco mais do criador. “Me formei pela faculdade Santa Marcelina em 2013, junto com meu companheiro de Casa de Criadores, Rafael Caetano. Meu trabalho de formatura ainda diz muito sobre meu trabalho autoral hoje, ele relatava o processo amoroso segundo a visão de Freud, da paixão até o luto do término. Logo após criei a Silvério como uma espécie de catalizador criativo, para que pudesse expor meu potencial enquanto me aventurava no mercado. Como empreendedor senti necessidade de entender melhor de business, então ingressei numa pós-graduação em Negócios Internacionais e Comércio Exterior, para ter como uma opção a exportação do meu design”, conta.

Em 2016, Rafael foi convidado por André Hidalgo para expor sua coleção no lounge do evento. “Foi uma experiência muito interessante para mim, como designer e empreendedor, lidar com público e ter o feedback direto com o consumidor final. E desde de lá começamos um namoro, de quando seria a oportunidade ideal para minha entrada pro line-up do evento. Em meados 2018, conheci Taciana Abreu (marketing da Farm) e ela se interessou pelo nosso trabalho e chamou para desfilarmos dentro do evento chamado Re-farm, movimento esse que visa a sustentabilidade ecológica e social e faz cruzamentos da Farm com marcas mais novas com ideias alinhadas, diz ele sobre o evento que foi sediado na loja da Harmonia, na Vila Madalena.

Taci se tornou uma amiga pessoal do estilista e uma das maiores incentivadoras de seu trabalho. “Nessa coleção usamos alguns tecidos (sobras de pilotagens e tecidos esquecidos em estoque) cedidos pelo Grupo Soma, para conceber a coleção. O stylist foi assinado por Maurício Ianes, que foi um outro grande encontro. Sempre admirei a forma que ele trabalha, completamente fora da caixa. De alguma forma ele me apadrinhou e sempre foi um dos caras mais gentis que me sorriu no meio da moda, então essa estreia desfilando foi uma grande emoção.”

A partir desse trabalho, André legitimou o convite para esta temporada. “Estou bastante empolgado para colocar isso na rua. Ou melhor: na passarela. Espero que consiga comover, pois tá sendo criado com muito amor. Minha marca se propõe a sempre questionar coisas que são opostas, essa indagação que tenho desde de criança. Chocar extremos e fazer caminhos juntos, preto e o branco, feminino e o masculino, fluido e o estruturado, mini e o máximo. A dicotomia é parte fundamental do conceito da marca. Que tem tecnicamente modelagens amplas e quase sempre oriundas do círculo. Existe uma certa obsessão pelo corte em viés, e os tecidos mais encorpados. Nos últimos anos as dobraduras em tecidos se tornaram também um polo dentro das coleções, das quais eu mesmo me debruço sobre”, completa o estilista.

A venda da marca é online, via Instagram, desenvolvendo peças quase sempre sobre medida ou adequando os modelos já existentes à vontade do cliente. “Respeitando a cadeia de fornecedores e colaboradores, visando sustentabilidade social em slow fashion.”

Rafael Silvério, que estreia na Casa de Criadores / Foto: Divulgação

A estreia na Casa de Criadores
“A coleção parte da história do cultivo e uso da planta beladona na América, em meados do século 18. Durante a pesquisa, notamos que as mulheres se apropriaram da beladona pra fortalecer sua feminilidade, então trazemos o tema à tona a fim de fazer uma reflexão sobre o feminino nos dias de hoje.”

Parceiros da hora
“A Vicunha Têxtil, que é parceira da marca há três anos, segue sendo uma das apoiadoras e contemplou com sarjas presentes em exercícios de desconstrução de alfaiataria. Já a Focus Têxtil aparece em lãs e jaquards mais encorpadas que ajudam a desenhar os shapes mais vanguardistas com corte em viés.”

Time de profissionais
“Interlúdio na voz de uma convidada muito especial para abrir o desfile, que em sequência conta com uma trilha sonora original Kall Medrado (Enkasa) e Darick Gyorgy, em uma faixa mid temple que mistura elementos eletrônicos com neo soul. A make é assinada por Willian Cruzes (Amuse studio) e consultoria artística é de Maurício Ianês. O stylist é assinado por Carlos Lumna. Tudo isso coordenado com a direção de desfile de Pip Seger (Saturn Lab). E as parmas parcerias: tênis da Fila, sapatos Passarela, acessórios modelados em 3D e impressos com filamento biodegradável criados e desenvolvidos por Beatriz Barbosaa da we.me, exclusivamente para o debut da Silvério. E zíperes de dois cursores apoiados pela YKK”.

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Croquis da coleção / Imagem: Divulgação

 

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