Ahlma abre a Casa com desfile abravanado por Dudu Bertholini, Mistika Selvagem e FKawallys

“A maneira mais sustentável de consumir moda hoje em dia é reutilizando o que já temos”. É com essa frase que o stylist Dudu Bertholini começa a me explicar o desfile da Ahlma, que estreou e abriu a 45ª edição da Casa de Criadores. A real é que a moda precisa urgentemente repensar seus hábitos de consumo, de produção e de desperdício, mais do que nunca. Essa é uma tecla em que a Ahlma sempre bateu. E é sobre isso que esse desfile fala.

Mais do que criar desejo sobre cada peça desfilada, o objetivo aqui é fazer com que a cliente olhe para o seu próprio guarda-roupa com essa vontade de customizar, ressignificar, repensar, recortar e, se realmente precisar comprar algo, preferir o brechó. A Ahlma teve apoio da ASA, Associação Santo Agostinho, que doou as roupas que foram usadas nesta coleção.

O clima de otimismo é constante, nostálgico, até. Ele vem dessa moda colorida e alegre, muito pela bandeira do arco-íris, que a marca utiliza desde que nasceu. Mas, mais do que os direitos LGBTQI+, ela representa a vontade de incluir todas as cores, gêneros, raças, corpos e orientações em uma mesma conversa. “Há muita política envolvida no fato de esse ser um desfile tão otimista”, completa Dudu no backstage.

Nomes da noite, da moda e da música brasileira como os cantores Jaloo e Letrux, os performers Loïc Koutana e Valenttina Luz, o apresentador Caio Braz e a stylist Suyane Ynaya cruzaram a passarela da Ahlma, em uma celebração paulistana de uma marca carioca da gema. A marca, que abriu as portas de sua primeira loja na capital de São Paulo ainda esse ano, soube bem que escolher para dar o nome por aqui.

A desconstrução, a customização e o styling das peças foram feitas por Dudu Bertholini, FKawallys e Mistika Selvagem, uma equipe que trabalha junta há cerca de vinte anos. As pinturas ficam na mão de Fábio, a aplicação de metais e penduricalhos foi feita por Vanessa Monteiro — aka Mistika — e a concepção geral é de Bertholini.

A coleção tem a cara deles, com todas as mistura de referências, tecidos e cores, frases silkadas e maximalismo que temos direito. É divertido assistir artistas com DNAs tão fortes trabalharem sem podas e com toda a força que carregam – ainda que a alma da Ahlma se perca entre tanta abravanação.

 

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A jornalista Giuliana Mesquita foi convidada para escrever sobre todos os desfiles da 45ª Casa de Criadores. Sua opinião não reflete necessariamente o pensamento do evento.

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