As formas amplas e fluídas da Martins ganham listras

Muito antes de serem vistas como uma estampa comum, básica até, as listras eram preteridas ao que era considerado escória da sociedade: presos, prostitutas, doentes, loucos e até palhaços. No livro “O Pano do Diabo”, em que Tom Martins se inspirou para sua nova coleção, o autor Michel Pastoureau traça a história das listras até o século XX, quando foi transformada em estampa-fashion por Coco Chanel.

O visual desses excluídos da sociedade foi o ponto de partida da marca para a coleção. As listras estampam as peças alongadas em seda, tricoline e algodão de forma não-óbvia e fresca. Camisaria, saias assimétricas, peças longas, mix de jeans e estampas, todos símbolos que já fazem parte do imaginário da marca, permeiam toda a coleção. Faixas soltas davam o ar de camisa de força, enquanto os chapeuzinhos redondos reforçavam a ideia de que a marca quis desmarginalizar a imagem desses excluídos da sociedade.

A novidade fica para as peças que podem — ou não — serem ajustadas na cintura e para as franjas (que também se comportam como listras). A Martins ainda fez parceria com o ilustrador Herbie, que desenhou os panneaux que podem ser usados como saias em cima da camisaria. Ponto também para o casting diverso escolhido pela marca.

 

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A jornalista Giuliana Mesquita foi convidada para escrever sobre todos os desfiles da 45ª Casa de Criadores. Sua opinião não reflete necessariamente o pensamento do evento.

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