Boldstrap fala do fetiche e da sexualidade do homem gay

Não é novidade desfilar jockstraps. Principalmente na Casa de Criadores. As condições de temperatura e pressão mudaram – é verdade. Temos no poder um governo homofóbico, machista, transfóbico, racista e, em tempos sombrios, nada pode ficar subentendido. O óbvio precisa ser dito de novo. De novo. De novo.

A Boldstrap estreia nessa edição do evento, a primeira do governo Bolsonaro, para mostrar que todo mundo deve se amar, se aceitar e se orgulhar de quem é e de quem escolheu amar. Todos os corpos apareceram na passarela com as jockstraps de luxo que fizeram o sucesso da marca de Pedro Andrade: gordos, magros, baixos, altos, ursos, pocs, velhos, novos, com cicatrizes, acne, estrias. Pela primeira vez, a marca se arrisca em roupas de fato, um streetwear sensual para eles, com shortinhos, tops cropped, bermudas de tela e calças de vinil.

O discurso é válido, importante e urgente. A aceitação do corpo, da sexualidade, da raça e de seus fetiches deve invadir as passarelas. E a estreia da Boldstrap é muito importante para o evento. A impressão que fica, no entanto, é que as peças que representam esse discurso não evoluíram. A imagem de moda apresentada parece um tanto repetida. O desafio da Boldstrap será atualizar e refrescar essa estética para se equiparar ao seu discurso tão atual.

 

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A jornalista Giuliana Mesquita foi convidada para escrever sobre todos os desfiles da 45ª Casa de Criadores. Sua opinião não reflete necessariamente o pensamento do evento.

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