Brechó Replay relembra o movimento emo com show da drag Mia Badgyal

Não é a primeira vez que o movimento musical e cultural emo serve de inspiração para um desfile na Casa de Criadores. Na passarela de Felipe Fanaia em julho de 2018, o estilo aparece em forma de homenagem, relembrando as músicas e os códigos indumentários da época. No Brechó Replay, a história é outra.

Eduardo Costa conta no backstage que, para essa temporada, eles reeditaram uma nova equipe, com novas pessoas e vivências. A coleção, chamada de Emoticons, fala tanto dos ícones usados nas redes sociais quanto das emoções, já que o emocore era conhecido por expressar os sentimentos livremente, sem vergonha.

Segundo o estilista, o movimento dos anos 2000 já começou a influenciar outros estilos, como o trap e o clubber. Por isso a escolha da drag queen Mia Badgyal para cantar em sua performance, que teve os modelos entrando correndo na passarela, tirando selfies e deitando em sofás e colchões pichados

Apesar de contar com muitos elementos e códigos do emo, como as jaquetas com patches, as camisetas customizadas e os cintos de tachas, essa coleção mostra eles de forma um tanto caricata. Ao tentar falar de tecnologia e das relações interpessoais na era das redes sociais, o Brechó Replay poderia ter se aprofundado um pouco mais nessa investigação, saindo um pouco do lugar comum de mostrar meninos e meninas tirando selfies e fazendo stories.

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A jornalista Giuliana Mesquita foi convidada para escrever sobre todos os desfiles da 45ª Casa de Criadores. Sua opinião não reflete necessariamente o pensamento do evento.

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