Coleção de Diego Fávaro sobre guerra e paz mostra clara evolução da marca

Há algumas temporadas, Diego Fávaro estava estagnado em uma fórmula que não funcionava mais. Nessa estação, abandonou a logomania exagerada, parou de olhar pra fora e fez sua melhor coleção até hoje na Casa. Esse desfile conta a história da Data Limite de Chico Xavier, uma previsão sobre o aniversário de 50 anos em que o homem pisou na lua. A humanidade havia, portanto, cinquenta anos para não se envolver em uma guerra nuclear e, passando essa data, coisas extraordinárias começariam a acontecer.

O desfile brinca com texturas para contar uma história sobre o bruto da guerra e a leveza da cura. Os tecidos pesados e rígidos são combinados a texturas que acalentam. O brim que parece couro e a sarja com forro de moletinho exemplificam como essa dualidade, muitas vezes, trabalha junta. Primeiro bate, depois acalma.

“Nessa coleção, me desgarrei e tentei coisas novas”, conta o estilista no backstage. Camisetas queimadas, respingos de látex em blusões peludos, estampas manuais: todos esses elementos são bem vindos na trajetória de Fávaro, mas, mais que isso, mostram que o estilista está aberto e disposto a evoluir os elementos de estilo de sua marca.

 

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A jornalista Giuliana Mesquita foi convidada para escrever sobre todos os desfiles da 45ª Casa de Criadores. Sua opinião não reflete necessariamente o pensamento do evento.

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