Com minimalismo fluído, D’Aura volta à Casa de Criadores

Na química, a alotropia é “a propriedade que alguns elementos químicos têm de formar uma ou mais substâncias simples diferentes”.  Segundo Lucas Menezes, da D’Aura, é a ideia de se rearranjar e se recompor. O estilista começa explicando seu desfile assim, já que as peças apresentadas no primeiro dia de Casa de Criadores não são exatamente as mesmas de seu último desfile, no Dragão Fashion Brasil, mas uma continuação orgânica do que foi proposto.

A marca, que transita muito bem entre o minimalismo e o utilitário, começa a trabalhar novos tecidos como tricoline, crepe de viscoline e tafetá de poliamida, tentando remanejar esses materiais e transformá-los na visão da marca. Nesse novo momento de retorno à Casa de Criadores, a marca explora melhor seus alicerces, como as roupas arquitetônicas e a discussão de gênero na moda.

Nesse desfile, mais elegante e bem acabado que os últimos da marca, os shapes ficam ainda mais fluídos e sem gênero, podendo ser usados tanto por eles quanto por elas. Camisas alongadas e drapeadas, macacões utilitários, blazers, blusas assimétricas e vestidos túnica compõem bem a coleção, toda em preto, branco e cinza. Em tempos em que o discurso às vezes ultrapassa os limites da roupa, faz bem ver uma roupa bem feita e bem pensada por si só na passarela, ainda que ela não conte uma história tão elaborada.

 

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A jornalista Giuliana Mesquita foi convidada para escrever sobre todos os desfiles da 45ª Casa de Criadores. Sua opinião não reflete necessariamente o pensamento do evento.

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