Crochê e alfaiataria de David Lee brincam com as ideias de força e masculinidade

A história de David Lee é dessas de brilhar os olhos. Após voltar de sua experiência no International Fashion Showcase do British Fashion Council, o estilista cearense estreia na passarela da Casa de Criadores com sua investigação sobre força, masculinidade, crochê e alfaiataria. Destaque da marca, o crochê é o elemento mais interessante de seu trabalho. Isso porque pegar um elemento antes associado – pelo menos no Brasil – exclusivamente a mulher e transformá-lo em uma peça de moda masculina fala muito sobre a masculinidade tóxica cultivada na sociedade hoje em dia.

Nesta coleção, aparecem também peças de alfaiataria com acentos industriais e utilitários como maxi bolsos e faixas refletivas. Inspirado em uma ideia de conforto e hospitalidade, Lee mistura essas referências mais duras ao crochê de ponto largo, amplo, que abraça, debatendo a ideia de força versus fragilidade. Os tons primários escolhidos para esses tricôs dão um ar lúdico, quase infantil, às peças, o que também agrega à conversa sobre masculinidade. Apesar das ótimas peças, o styling carrega também –vale pontuar– parte da força do desfile.

Essa dualidade e dicotomia contam uma história que promete render muitos capítulos ainda. Há muito a se trabalhar na marca do jovem estilista, mas sua estreia foi a melhor dessa edição do evento até agora.

 

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A jornalista Giuliana Mesquita foi convidada para escrever sobre todos os desfiles da 45ª Casa de Criadores. Sua opinião não reflete necessariamente o pensamento do evento.

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