Desafio Sou de Algodão premia coleção de moda masculina de construção precisa 

 

Apoiador da Casa de Criadores, o Sou de Algodão promoveu um concurso para premiar quem melhor conseguisse trabalhar com a fibra natural em uma coleção coesa, bem feita e que contasse uma história. Eles percorreram faculdades ao redor do país para conhecer os graduandos e propôr esse desafio. Foram milhares de inscritos até chegar nos seis finalistas que se apresentaram nesse último dia de evento.

 

O Desafio começou com a Ateliê Fomenta, marca comandada por Fellipe Campos e Fernando Carvalho. É gratificante ver dois estilistas tão jovens falando sobre uma época tão obscura — e mesmo assim tão atual — da história brasileira como a ditadura militar. Com o algodão, fizeram vestidos, saias, calças e shorts com pedaços da constituição e de jornais, trechos que contam bem essa história. Na maquiagem, ora mordaças vermelhas simulando a censura, ora batons contornados por fora da boca, lembrando as drag queens, o motivo do estilista Fellipe Campos ter entrado no mundo da moda.

O segundo desfile foi da Assumpta, de Gabriela Pfeifer, Daniel Mathias Leão e Eduardo Grella, com uma coleção bem colorida, mas com algumas ideias confusas. As molduras de quadro e os looks costurados juntos não fazem muito sentido dentro da coleção, que falhou em apresentar coesão, apesar de mostrar técnicas interessantes de transformação do algodão.

Dario Mittmann fez uma imersão no universo do folclore japonês para criar peças de estética Harajuku, com macacões, casacos e conjuntinhos cheios de brilhos e aplicações, pichações, recortes. A coleção de streetwear inspirada na bad girl japonesa ainda foi complementada por uma beleza de ares extraterrestres. O estilista escalou a performer Alma Negrot para fechar o desfile. Dario Mittmann ficou em segundo lugar no concurso.

A seguir, o vencedor do desafio Sou de Algodão, Mateus Cardoso desfilou uma coleção masculina focada em uma alfaiataria precisa e bem acabada, com ombros importantes e construção impecável. Os shortinhos curtos, blazers e camisas, mas principalmente as jaquetas, com paleta de cores bem pensada fez com que Cardoso ganhasse essa primeira edição do desafio.

Na Era Brand, de Patrick Langkammer, Lays Santos e Alan Dantos, as texturas são o foco. Drapeados, palha e babados decoram as peças da marca, que brinca com combinações de cores e com inspirações indígenas.

Rodrigo Evangelista contou uma história através de seu desfile. Com a cantora Ivana Wonder abrindo o show, Evangelista chamou pessoas soropositivas para trabalhar com ele, para valorizar essa mão de obra que muitas vezes é deixada de lado. As boates do Rio de Janeiro foram o ponto de partida do estilista para uma coleção de formas extravagantes, macacões, ombreiras, franjas e pinturas à mão. Rodrigo ficou em terceiro lugar no desafio.

 

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A jornalista Giuliana Mesquita foi convidada para escrever sobre todos os desfiles da 45ª Casa de Criadores. Sua opinião não reflete necessariamente o pensamento do evento.

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