Em coleção cheia de volumes, Renata Buzzo fala sobre redescobertas

As crianças nascem puras, com personalidade esférica, e acabam abandonando suas convicções por causa das imposições da sociedade. Durante sua vida, sua adolescência e sua trajetória, acabam se tornando planas, caricatas, sem profundidade. É sobre essa narrativa que Renata Buzzo se debruça em sua nova coleção.

“Quando eu era criança, tinha um quadro de pierrot na casa da minha tia. Ele me assustava, mas eu acabei virando ele”, explica a estilista no backstage. Buzzo conta que perdeu seu caminho na adolescência, se tornando caricata, como um palhaço triste, o pierrot. As formas amplas e as tiras drapeadas que decoram todas as peças do desfile mostram os caminhos tortuosos que as pessoas precisam chegar para encontrar a si mesmos. Esse encontro, muitas vezes, é uma volta ao original, à infância.

 

No meio do desfile, a música melancólica dá lugar ao áudio da mãe de Frank Ocean falando ao filho para não se perder, não se envolver com pessoas erradas, não se tornar algo que não é. Tanto sua fala quanto a quebra de estilo de música representam bem a dualidade de Renata Buzzo. Na coleção, o fluído sempre se opõe ao rígido, tanto em vestidos quanto em saias e macacões.

Esse desfile diz muito sobre a moda de Buzzo e sobre sua história como estilista, que teve que dar muitas voltas para se achar em um lugar que trabalha sua verdade com tranquilidade. “Nesse desfile, eu assumi exatamente o que realmente sou. Assumi minha tristeza na trilha melancólica, as formas diferentes da minha moda, não tento mais me encaixar para caber em um molde do que esperam de mim”, conta. “Pra mim, esse desfile fecha um ciclo em que falei muito sobre passado. Hoje quero focar mais no presente”.

 

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A jornalista Giuliana Mesquita foi convidada para escrever sobre todos os desfiles da 45ª Casa de Criadores. Sua opinião não reflete necessariamente o pensamento do evento.

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