Em tempos complicados, Diego Gama resgata as redes de apoio das minorias

São tempos difíceis para as minorias – todo mundo sabe. No entanto, poucas marcas falam sobre a rede de apoio necessária nesses tempos. Diego Gama partiu de um assunto que sempre aborda em seus desfiles: o afeto. Se na última edição o estilista falou sobre ecossistemas afetivos – e como devemos cuidar e regar as nossas relações –, nessa coleção ele olha para como as minorias se unem e se protegem em momentos sociopolíticos como os que vivemos.

Na passarela, as peças fluídas de veludo molhado estampado caminham lado a lado a blusas mais rígidas, afastadas do corpo e que trazem a sensação de armadura. As plumas são feitas de silicone, moldadas uma a uma com o polegar, em um trabalho minucioso para imitar algo que vem da natureza – como estilista vegano, Diego Gama prefere reproduzir do que retirar.

“Já que a realidade não está boa, a gente usa da fantasia para imaginar o novo”, ele conta. E esse imaginário não é criado sozinho. Nessa coleção, Gama chama diversos nomes da sua própria rede de apoio para deixar ainda mais rica sua roupa: os acessórios são da Lux.ão, as estampas de Micael Amâncio, os chapéus da Rangeu&Co, a serigrafia do tatuador Renato Matos e a cenografia de Vitor Paula.

 

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A jornalista Giuliana Mesquita foi convidada para escrever sobre todos os desfiles da 45ª Casa de Criadores. Sua opinião não reflete necessariamente o pensamento do evento.

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