Na Cisô, só o corpo magro tem força

Estreante do evento, a Cisô é a primeira marca que apresenta apenas lingeries na passarela da Casa de Criadores. No backstage, a estilista Maria Tereza Pasqua conta que, ao criar a campanha de sua nova coleção, uniu treze mulheres e sentiu a força que essa união feminina traz. “Eu até pensei em fazer alguns robes ou vestidos, mas decidi focar só na lingerie”, conta a dona da marca, agora em voo solo após algumas reestruturações.

Essa decisão foi tomada para que não houvesse nada entre a mulher e a força do seu corpo usando uma lingerie poderosa, sensual, que a coloca no poder de onde nunca deveria ter saído. As calcinhas e sutiãs eram em sua maioria pretos, com recortes em lurex ou em um bege transparente, além de detalhes geométricos e matelassados.

Há muita coragem em um desfile apenas de mulheres de lingerie. A força do feminino, da sensualidade reencontrada, do feminismo, da auto-estima, de se amar acima de todos. Amar seu corpo, suas curvas, sua cor. A história é linda. No entanto, a conta não fecha. Verdade seja dita (e aprendida): não há feminismo, força feminina ou sororidade quando falamos apenas de um tipo de corpo: o magro.

Apesar de ser anunciado como diverso, no casting não havia um corpo gordo. Havia, sim –vale comentar–, mulheres negras, asiáticas e uma mulher trans, mas nenhuma delas vestia manequim maior que 42. Como se em um desfile de lingerie comum, muito diferente do que esperamos ver na passarela da Casa de Criadores, cruzaram a passarela mulheres que têm o corpo que é esperado delas.

Falar de força feminina sem encarar de frente os preconceitos embutidos pela sociedade machista em cada uma de nós não pode ser aceito. Não mais.

 

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A jornalista Giuliana Mesquita foi convidada para escrever sobre todos os desfiles da 45ª Casa de Criadores. Sua opinião não reflete necessariamente o pensamento do evento.

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