Na Heloisa Faria, o amor que move montanhas (e preconceitos)

Os tempos sombrios que o Brasil está passando permearam várias coleções da Casa de Criadores – como vocês podem perceber pelos textos postados por aqui. É que o que está acontecendo no país tende a perturbar as mentes mais sensíveis, que colocam em seu trabalho criativo a resposta pelos seus anseios. Foi o que aconteceu com Heloisa Faria, que decidiu falar de amor em tempos de cólera.

Batizado de “Novxs Românticos”, o desfile começou com Alina Dorzbacher e seu marido Mamoru cruzando a passarela de mãos dadas com looks brancos com bordados finos. A seguir, uma série de modelos de todos os tipos – brancos, asiáticos, velhos, baixos – vestiam as peças de Heloisa. Decidida a falar sobre amor, escalou Uni Corrêa e Matheus Martins e Giorgia Narciso e Felix Lessa, dois casais com mulheres transexuais, para completar o time e mostrar que todo tipo de amor é válido – e nenhum merece ser apagado. Vale ressaltar que Uni também assina o styling do desfile, estendendo o discurso e dando espaço e oportunidade de trabalho para quem quis homenagear.
A vibe otimista como o lema “O que me move é LOVE”, pintado de maquiagem no rosto de algumas modelos, foi o jeito encontrado pela estilista de falar de tempos pesados de forma poética e com roupas com boas sacadas comerciais.

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A jornalista Giuliana Mesquita foi convidada para escrever sobre todos os desfiles da 45ª Casa de Criadores. Sua opinião não reflete necessariamente o pensamento do evento.

 

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