O futuro-presente caótico da Vivão Project

Inspirado no filme Blade Runner 2049, Alexandre Francisco, da Vivão Project, apresenta um futuro distópico, caótico, grotesco. Mas, na verdade, ela não é tão distante quanto parece. Essa nova “raça de humanos”, pensada pelo estilista baiano, é fabricada para fins escravocratas enquanto a sociedade preconceituosa exclui as minorias sociais, como os transsexuais e as pessoas não-binárias. Parece familiar?

A marca anda lado a lado com a Estileras, falando e se inspirando nessa nova cena underground paulistana, propositalmente ou não. Na passarela, nomes da noite como Milian Dolla, Valenttina Luz e Urias desfilam os vestidinhos colados abertos atrás, um biquíni diferentão e um conjuntinho de saia e blazer, usado aberto e sem blusa por baixo. As cinturas baixíssimas aparecem com calcinhas asa delta à mostra ou em um modelo de couro combinado a um top cortininha e uma blusa segunda pele.

O visual é estranho para quem está acostumado a seguir os padrões da sociedade, que exige que as mulheres odeiem seus corpos e suas sexualidades, que sejamos belas, recatadas e do lar. Que os homens sejam fortes, másculos, sem traços de feminilidade. Que as bichas não sejam afeminadas. A Vivão Project pega todas essas expectativas, joga no lixo e entrega uma coleção coesa com trilha sonora pesada para alguns, mas que embala perfeitamente esse futuro tão atual.

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A jornalista Giuliana Mesquita foi convidada para escrever sobre todos os desfiles da 45ª Casa de Criadores. Sua opinião não reflete necessariamente o pensamento do evento.

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