Os arlequins tristes de Fernando Cozendey

Em um desfile inteirinho em preto e branco, com contraste de uma passarela de vinil vermelha, Fernando Cozendey apresenta seus bodies, biquínis e peças coladas ao corpo feitas de Lycra novamente na Casa de Criadores. Para essa estação, olhou para o circo e pegou a imagem do palhaço como ponto de partida. A imagem que fica é desse arlequim entristecido, não o palhaço que diverte e entretem. Nesse desfile, o estilista empresta da atmosfera soturna e dramática de sua coleção apresentada em julho de 2018, que falou sobre pedofilia e abuso sexual, mas sem perder a preocupação em abraçar e mostrar as curvas da mulher que veste.

Onças, listras e poás são as estampas escolhidas pelo estilista para permear sua coleção, que também contou com um trabalho de matelassados interessante em um conjuntinho de saia e jaqueta. Cozendey continua apostando em sua fórmula de sempre, às vezes acertando mais, outras menos.

 

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A jornalista Giuliana Mesquita foi convidada para escrever sobre todos os desfiles da 45ª Casa de Criadores. Sua opinião não reflete necessariamente o pensamento do evento.

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