Reptilia estreia na Casa de Criadores com coleção comercial 

A dificuldade de fazer um desfile coeso e interessante, que transmite uma mensagem com sucesso somente através do combo roupa, trilha, casting e apresentação, é enorme. É comum escorregar em uma primeira tentativa, principalmente quando falta experiência. A Reptilia é uma marca de Curitiba, concebida e criada por Heloísa Strobel, que se formou arquiteta antes de se jogar no mundo da moda.

A inspiração dessa apresentação vem da artista e escultora Maria Martins – não só de sua obra, mas de sua vida. A carioca, que morreu em 1974, abriu as portas para outras artistas surrealistas no Brasil, além de ser sido musa e amiga de grandes nomes da arte como Duchamp e Picasso. Essa história, infelizmente, não é vista nas roupas desfiladas — um problema enorme, já que as peças sozinhas não têm sentido e não contam uma narrativa por si só.

Falta uma imagem de moda mais forte, única, que nunca vimos antes, inesquecível ou, pelo menos, que empolgue durante o desfile. As peças, um minimalismo esportivo com franjas degradê isoladas, são banais, apesar de muitas vezes bonitas. Com o tempo e algum trabalho, esses problemas podem ser resolvidos.

 

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A jornalista Giuliana Mesquita foi convidada para escrever sobre todos os desfiles da 45ª Casa de Criadores. Sua opinião não reflete necessariamente o pensamento do evento.

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